quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

LA SOLITUDE

 


                                                                    LA SOLITUDE

Estou aqui a espreitar pela janela a minha vizinha árvore. Continua estática, poderosa, sem depender de nenhum ser humano para te alimentar. Apenas das abelhas para acariciar tuas pétalas sem implorar tua gratidão.
Os carros passam às centenas, vão e vem não sei de onde nem pra onde. Pessoas passam umas apressadas, outras não, umas temerosas, outras não.
Á arvore já no fim do verão, altiva com algumas flores; um convite à meditação.
Será que quer me avisar que mesmo extemporânea ela pode florir? Será mais uma sugestão ou um pedido de socorro? Quem saberá interpretar mais este sutil aviso?
A isto tudo só vejo e não falo,.. mal cheiro, pigarro, tosse, mas não ligo estou insensível aos males do futuro. Se eles ainda não se instalaram em mim!.. Me lembro do passado, do certo e do erra, dentro da minha convicção sinto-me um exilado, há quanto tempo...? Creio que já passou dos trinta anos...
Amigos morrem, parentes morrem, (mas meu pássaro, ainda que sozinho saltita na gaiola).
Já nasceu no exílio e aprisionado, tem alimentos diversos que só ele come para se
distrair, às vezes canta, mas não me encanta...! .
Já é tarde e o vento sopra me proporcionando um gostoso frescor, mas o silêncio deste apartamento é mórbido, a janela aberta um convite ...  aí minha mente viaja ao passado, passa pela juventude, pela adolescência, pela infância gostosa, cheia de restrições mas mesmo assim gostosa!. Que saudade, a pesca, o cinema, o trabalho árduo de ir a feira de madrugada, observando o por da lua e as ultimas estrelas da madrugada...um espetáculo só pra mim!, O futebol, o rio para pescar!.
Mas mudo o pensamento e deixo o passado no passado,..! pois o agora é que conta. Isso não passa, parece que meu relógio biológico parou.
Na rua uma freada, um susto, levanto bebo água sem ter sede, apenas um ritual acompanhado de um pouco de café velho, boca de pito, mas um ritual maléfico no ponto de vista médico, acendo um cigarro.!
E o dia já está raiando, os ônibus já começam a rodar, aí o dia começa. Já sinto a compressão e imagino, será um massacre!
Minha esposa me cobrará até o que não devo nem pra humanidade, egoísta? Talvez sim talvez não!
Mas a janela é real , um sutil convite...
A rua la embaixo é real um teatro, mais real é a árvore transcendental se ninguém derruba-la.  Mas só eu me sinto o abstrato do abstrato.A primavera passou sem entrar no verão.
Volto à janela, o mesmo panorama com elementos um pouco diferentes.
É a vida, que passa diante da minha janela...!.


José alonço Carneiro. Escrito em 03/03/08 as 04:00 da madrugada, porém publicado na data de hoje.


2 comentários:

Canção do exílio !

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