Esse caminhão bem lonado, chamado de pau de arara que do nordeste, vinha apinhado de gente, cortando a caatinga e o serrado: trazia corações nele embarcados, saudosos da sua terra e também da sua gente, vieram trabalhar no sul e sudeste deixando para a traz a seca que lhes causavam fome pobreza e peste , e aqui chegaram com o coração partido, mas dispostos ao sacrifício e aquele coração pisoteado ,magoado"Ó xente, bixiga da muléstia e também o guerreiro cabra da peste"que falando na segunda pessoa do tempo do verbo,mesclou nossa linguagem, e fez daqui também a sua terra, com diversos enfrentamentos: o mais difícil foi o racismo de algum paulistano que foi o mais beneficiado com aquela mão de obra barata que insuflou a construção civil, alguns voltarão pro seu torrão outros aqui fincaram raízes e são ainda o trator da mão da obra pesada em toda esta região, eu queria ser um grande poeta, dominador do cordel para fazer um grande repente para homenagear essa gente decente que vieram do sertão para produzirem lindos trabalhos com a mente os braços e o coração! e hoje já se espalharam por todas as atividades e se integraram em todas as cidades , e por serem honestos , festivos e falantes, conquistaram muitas amizades, e a suas terras só voltam em passeios nas festas de São João! pois aqui já tem filhos e netos que mesmo lá tendo os parentes,só vão fazer turismo para degustar tudo que lá tem de bom!