O QUE AQUI ENCONTREI EM CEM LIVROS NARRAR NÃO CONSEGUIREI.
DIZEM QUE MINAS SÃO MUITAS, O QUE ME FAZ MEDITAR ALGUMAS EU
CONHEÇO E IREI REVELAR.
MINAS DO RIO SÃO FRANCISCO, DO PANTANAL DO RIO PANDEIRO,ONDE A GARÇA NOS ENSINA A ARTE DA PACIÊNCIA, MINAS DO CHAPADÃO DO BUGRE, DA CACHOEIRA
GRANDE DO RIO CIPÓ, DA SERRA DA CANASTRA, DOS GRANDES POETAS, DO SENHOR CHICO XAVIER, DAS OBRAS DO ALEIJADINHO QUE O MUNDO INTEIRO ADMIRA, DOS CANTORES DO VALE , DO CLUBE DA ESQUINA, DE DONA BEIJA DO ARAXÁ, DE CHICA DA SILVA, DOS INCONFIDENTES, DAS GAIOLAS DO SÃO FRANCISCO, DE MANUELZÃO, DO GRANDE SERTÃO VEREDAS, DO ZÉ COCO DO RIACHÃO, O BETHOVEM DO SERTÃO , DO FOGÃO A LENHA, DO TREM DE FERRO E DO CARRO DE BOI, DOS CAMPOS DAS VERTENTES , DA SERESTA AO LUAR, DA REDE NA VARANDA, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, DO LEITE AO PÉ DA VACA, DO CONTADOR DE ESTÓRIAS, DO CABOCLO D'ÁGUA, DA ÁGUA BOA, QUE FALA UAI , TREM BÃO, QUE CONTEMPLA OS CÉUS ,QUE FAZ ORAÇÃO, QUE ENGORDA PORCO, MINAS DO PESCADOR QUE PESCOU O MAIOR PEIXE E ATÉ UM LAMPIÃO ACESO, QUE GARIMPA O OURO E OS CRISTAIS, QUE CASA NA IGREJA , QUE NÃO TEM MEDO DE FUMAÇA, QUE VAI A MISSA E ACOMPANHA PROCISSÃO ,QUE TRABALHA O BARRO E A PEDRA SABÃO, QUE SENTA NA PRAÇA ,QUE ANDA A CAVALO, QUE DA JANELA VÊ A VIDA, QUE TEM PACIÊNCIA ÁRVORE AMARGA QUE DA FRUTO DOCE ,QUE DORME CEDO, DE QUEM TE CONHECE NÃO ESQUECE JAMAIS, QUE NA POLITICA E PRUDENTE, QUE COME FEIJÃO TROPEIRO, QUE DA VASTIDÃO DO PLANALTO SE CONTEMPLA O HORIZONTE INFINITO E O MAIS BELO POR DO SOL, DO MAR DOCE DE TRÊS MARIAS, ONDE SE PESCA GRANDES PEIXES E DA ATE PARA NADAR, MAS CUIDADO COM AS PIRANHAS, MINAS TAMBÉM É
HOSPITALEIRA E TE ESPERA NA ESTAÇÃO, MINAS DO LICOR DE PEQUI, DA RAPADURA E DA GOIABADA CASCÃO, DA SERRA DA PIEDADE MORADA DO LOBO GUARÁ, MINAS TAMBÉM ADMIRA O QUE VEM DE FORA, MAS AMA O QUE É SEU.
MINAS TAMBÉM E PROGRESSISTA E PRODUZ MUITAS COISAS, O SEU MELHOR PRODUTO É SUA GENTE. GENTE QUE VIAJA E QUE VAI PARA TODOS OS LUGARES, UNS VOLTAM OUTROS NÃO.
É GENTE DE EXPORTAÇÃO. MINAS TAMBÉM É SOLIDÁRIA NA HORA DO FLAGELO.
SUA NATUREZA ENCANTA, TEM AROEIRA E PEROBA DO CAMPO, E TAMBÉM O GIGANTE JEQUITIBÁ ,TEM ORQUÍDEAS DE DIVERSOS AROMAS E MATIZES.
TEUS RIOS TEM MUITOS PEIXES O MAIOR E O SURUBIM E TEM O DOURADO PRA EMBELEZAR.
TEM ÁRVORE QUE DÁ BOM LEITE, VENHA AQUI PARA PROVAR.
TEM BAMBU E TEM TABOCA,TAQUARA E TAQUARAÇÚ, MAS SE FOR COLHER CUIDADO COM A JARARACUÇU .
NA ROÇA TEM VIOLÃO PENDURADO NA PAREDE, E COM TANTOS RIOS VOCÊ NÃO MORRE DE SEDE.
O RIO CIPÓ É UMA BELEZA DÁ ATÉ PARA NADAR, NA SERRA DA MANTIQUEIRA E TERRA BOA PARA PLANTAR. NO TRIANGULO É SÓ FARTURA, MAS O PROJETO JAÍBA É UM EXEMPLO DE COMO COLONIZAR, AINDA TEM MATA ATLÂNTICA, MAS NOS CAMPOS TEM DIVERSOS FRUTOS PARA VOCÊ DEGUSTAR.
O ARTESANATO CADA REGIÃO TEM O SEU E SE FAZ DE TUDO DO CIPÓ Á PEDRA SABÃO. ARTESÃO TAMBÉM NÃO FALTA PRA TRABALHAR O BARRO COM A MÃO.
DAS MORENAS EU NÃO FALO POIS ISSO É COISA SÓ NOSSA NÃO PERMITO DIVULGAÇÃO.
TEM AGRICULTURA E PECUÁRIA QUE SOBRA ATÉ PRA PRA EXPORTAR, A INDÚSTRIA VEM COM MODÉSTIA MAS PROMETE SE AGIGANTAR.
MINERAIS TEM PARA SOBRAR.
O SEU QUEIJO É OBRA DE ARTE, MAS O TORRESMO TAMBÉM FAZ PARTE DE SUA DIVERSIFICADA COZINHA, QUE TAMBÉM É UMA ARTE.
A COLHEITA DO PEQUI É TRADIÇÃO, CONHECER O MAR É UM SONHO QUE MUITOS NÃO REALIZARÃO.
AS DISTANCIAS SÃO ENORMES, MAS NÓS DIZEMOS É LOGO ALI. SEU PÃO DE QUEIJO A PRINCIPAL IGUARIA, PRODUTO DE EXPORTAÇÃO EM MARIA DA FÉ O FRIO TE ESCONDE , JÁ EM PIRAPORA O CALOR TE EXPÕE, NO NORTE A SECA É CRUEL MOTIVO DE PREOCUPAÇÃO. NO VALE DO JEQUITINHONHA TAMBÉM É SECO MAS O POVO MIGRA PRA COLHEITA LÁ OS MINERAIS AGUARDAM A CHEGADA DA MINERAÇÃO...OS MIGRANTES DE LÁ ALGUNS NÃO VOLTAM E FICAM PARA A PRÓXIMA COLHEITA
José Alonço Carneiro
JAC Escrito em 13/10/2003, publicado na data de hoje, José Alonço Carneiro!
A gestante e mensageira de um carta genética que vai chegar com muitas mensagens subtendidas, no seu DNA que será bem ou mau recebida, mesmo que vier com grafias [traços] estranhos ao seu meio, difíceis de decodificar.
Pois enquanto chegarem estas cartas, os elos desta corrente gigante não partirão.
E nós continuaremos a querer saber quem foi o primeiro remetente que nos enviou para este torrão, pois a continuidade da vida nos leva a grande reflexão.
Óvulos, esperma, células, herança genética, tudo que a ciência nos esclarece não é suficiente.
Pois nos nossos arquivos, não temos guardado a primeira destas cartas.
Espero conseguir um dia fragmentos desta primeira carta, para tentar unir os elos desta corrente, onde tentarei comparar nossa vida com o ciclo da arvore do fruto e da semente que no tempo certo cai ao chão dentro ou fora da estação, a espera do calor e da umidade ara a sua germinação.
Naquelas mulheres ainda um pouco jovens, de expressões anciãs, nenhum sorriso autêntico poderá haver. Com certeza LÁGRIMAS, vaporizadas pelo ar seco e frio.
Nas rugas prematuras de tanto sofrer, pelas ausências diversas, deixadas de tantas insanas guerras.
Das quais herdaram viuvez prematuras, carências afetivas, perderam a companhia dos Jovens filhos, que pelas guerras não foram poupados. Da opulência já não se lembram, para saciar a fome comem painço, e se abrigam em cavernas nas montanhas. Às crianças restaram o contemplar do nada, e das ruínas, para elas um lar, não sei se haverá!
Mas as armas, logo cedo terão que aprender a manusear. Esperando que o fuzil um dia te valerá... Já aos homens adultos nos quartéis, ou nas batalhas contra inimigos internos ou externos, não encontram tempo para trabalhar. Apontam as anti-aéreas, mas as bombas caem, fanáticos ou patriotas são heróis, e suas esposas subalternas pela religião ou Cultura são muito mais heroínas!
Como será o futuro deste povo? Tão bravo que venceu a poderosa união soviética. desprovidos dos bens básicos, com um coração que se declara religioso, poderá renascer nesta sementeira de ódio e de chumbo? A humanidade não pode ser apenas espectadora, ela também tem que ser atriz neste palco. E por um momento perder junto, para que haja a possibilidade de paz para este povo, que não caia mais bombas nestas montanhas. Para que as macieiras possam voltar a florir e frutificar, para que um novo sorrir, venha secar definitivamente as lágrimas das crianças e das mulheres afegãs.
José Alonço Carneiro http://www.lux.iol.pt/internacional/26-10-2016/sharbat-gula-menina-afega-de-olhos-verdes-capa-da-national-geographic-detida-no-paquistao
Estou aqui a espreitar pela janela a minha vizinha árvore. Continua estática, poderosa, sem depender de nenhum ser humano para te alimentar. Apenas das abelhas para acariciar tuas pétalas sem implorar tua gratidão.
Os carros passam às centenas, vão e vem não sei de onde nem pra onde. Pessoas passam umas apressadas, outras não, umas temerosas, outras não.
Á arvore já no fim do verão, altiva com algumas flores; um convite à meditação.
Será que quer me avisar que mesmo extemporânea ela pode florir? Será mais uma sugestão ou um pedido de socorro? Quem saberá interpretar mais este sutil aviso?
A isto tudo só vejo e não falo,.. mal cheiro, pigarro, tosse, mas não ligo estou insensível aos males do futuro. Se eles ainda não se instalaram em mim!.. Me lembro do passado, do certo e do erra, dentro da minha convicção sinto-me um exilado, há quanto tempo...? Creio que já passou dos trinta anos...
Amigos morrem, parentes morrem, (mas meu pássaro, ainda que sozinho saltita na gaiola).
Já nasceu no exílio e aprisionado, tem alimentos diversos que só ele come para se
distrair, às vezes canta, mas não me encanta...! .
Já é tarde e o vento sopra me proporcionando um gostoso frescor, mas o silêncio deste apartamento é mórbido, a janela aberta um convite ... aí minha mente viaja ao passado, passa pela juventude, pela adolescência, pela infância gostosa, cheia de restrições mas mesmo assim gostosa!. Que saudade, a pesca, o cinema, o trabalho árduo de ir a feira de madrugada, observando o por da lua e as ultimas estrelas da madrugada...um espetáculo só pra mim!, O futebol, o rio para pescar!.
Mas mudo o pensamento e deixo o passado no passado,..! pois o agora é que conta. Isso não passa, parece que meu relógio biológico parou.
Na rua uma freada, um susto, levanto bebo água sem ter sede, apenas um ritual acompanhado de um pouco de café velho, boca de pito, mas um ritual maléfico no ponto de vista médico, acendo um cigarro.!
E o dia já está raiando, os ônibus já começam a rodar, aí o dia começa. Já sinto a compressão e imagino, será um massacre!
Minha esposa me cobrará até o que não devo nem pra humanidade, egoísta? Talvez sim talvez não!
Mas a janela é real , um sutil convite...
A rua la embaixo é real um teatro, mais real é a árvore transcendental se ninguém derruba-la. Mas só eu me sinto o abstrato do abstrato.A primavera passou sem entrar no verão.
Volto à janela, o mesmo panorama com elementos um pouco diferentes.
É a vida, que passa diante da minha janela...!.
José alonço Carneiro. Escrito em 03/03/08 as 04:00 da madrugada, porém publicado na data de hoje.