Esse trem da minha infância, no qual eu nunca viajei, me levou para lugares tão longe que para ninguém contei.
Teu apito era melodioso, tua máquina barulhenta fazia tremer o chão, que nele partia ia saudoso, por alguém que ficou na estação.
Ele nunca passou vazio, sete paradas ele fazia;
1 - Na saudade, que tenho dele;
2 - Na colônia;
3 - No cafundó;
4 - No rialto;
5 - Na glória;
6 - Nas três barras;
7 - Bananal.
Um dia ele passou apitando numa viagem sem volta, a alegria da estação acabou.
Hoje só resta a lembrança daquele barulhoso trem que não voltou.
Nossa professora chegava nele as sete e trinta da manhã, nós tínhamos que correr para não chegar atrasados.
Ele também era relógio para quem não tinha e retornava apitando no inicio da noitinha.
Ele fazia um trajeto, pequeno, mas gigantesco na minha imaginação, que sonhava conhecer o bananal, viajando nessa composição.
Logo veio o empreiteiro com máquinas e operários arrancando todos os trilhos, nenhum dormente ou pedra ele deixou, mas só não arrancou a lembrança que em nosso coração ficou.
Tua linha margeava um rio que também se chama bananal, que muita gente deu prazer e água para a irrigação, e hoje infelizmente é calha de poluição. Senão tivermos cuidado nós é quem sofreremos este mal. Seu trajeto era a Colônia que se rendeu ao capital especulador e hoje os condomínios parte de sua identidade tirou.
Nesse aniversário de cinquenta anos eu sugiro uma boa reflexão, para a colonia não ficar esquecida na memória da nossa nação.
Pois a colonia alimentou muita gente por toda essa região e pode servir de modelo para outras partes da nação, onde muitos carecem de empregos, comida e habitação.
Eu sou um colono ausente que trinta anos daqui parti, morei diversas comunidades mas nenhum delas há, como aqui havia o senso de fraternidade.
Aos que ficaram eu exorto, que esse evento seja um marco e um resgate dessa experiência social, pois as pessoas juntas são um continente e uma pessoa só é uma ilha em um oceano vazio.
José Alonço Carneiro



